Vale a pena ser muito racional?

Comecemos nosso texto com a reflexão sobre as três citações a seguir:

1 – “Lembra o tempo que você sentia e sentir era a forma mais sábia de saber e você nem sabia?”
Alice Ruiz

2 – “Nossa lição é aprender a ser. A liberdade de ser nos livrará da opressão de fazer. Aqui jaz a semente do “saber”, que tem a capacidade de nos levar para lá de toda a sabedoria deste mundo”. Eric Pearl

3 – “Minha cabeça só pensa aquilo que ela aprendeu.
Por isso mesmo eu não confio nela eu sou mais eu” Raul Seixas

O que você sente ou compreende quando lê essas três citações?

O ser humano, há muito, era um ser intuitivo e seguia seu fluxo de vida se baseando em sua conexão com sua essência. Como o tempo algo aconteceu e fez com que a percepção emocional através dos sentimentos se tornasse mais intensa. Para contrabalancear isso, ao invés de buscar equilíbrio emocional e voltar sua atenção para sua conexão essencial intuitiva, ele começou a desenvolver a razão e a se deixar guiar por ela. O desenvolvimento da razão trouxe a Era do culto ao saber, onde o conhecimento lógico, estatístico e racional se tornou o graal. Mas o funcionamento racional trabalha se baseando nos significados e definições que o indivíduo foi criando ao longo de sua vida. A pessoa registra o conhecimento adquirido e registra também emocionalmente suas vivências gerando crenças e automatismos comportamentais. Vamos a dois exemplos práticos ilustrativos: (Continua o texto…)

1 – Se quando você era criança, você foi atacado por um pitbull as chances de você ver um pitbull vindo na sua direção na rua e querer atravessar a rua são grandes, pois o significado que você tem de um pitbull é perigo e o registro emocional não é positivo. Por outro lado se você teve pitbulls quando criança e seu registro emocional é positivo, você não reagirá da mesma maneira.

2 – O universo nos oferece infinitas possibilidades a cada momento, mas, por uma questão didática, vamos considerar que temos uma decisão a tomar e que temos 100 portas diante de nós que representam as diferentes escolhas. Lembremos de nosso artigo sobre Self 1 x Self 2: O coração, o eu essencial (Self 2) escolhe automaticamente qual porta deverá ser escolhida, sem comparações, pesos ou conflitos. O Self 1 (ego, racional) nos gera o medo de fazermos a escolha errada. Buscando uma falsa segurança ele começa análises comparativas para escolher a melhor porta. Se 90 das 100 portas ainda são desconhecidas ele ainda não deu significados e registros emocionais a elas, logo não tem parâmetros de comparação. O desconhecido gera medo e é descartado. Sobram 10 portas a serem comparadas. Em função dos registros emocionais e significados, o racional elimina as portas que ele julga serem negativas. Por fim ele compara as últimas portas que sobram para ver qual delas aparenta ser a melhor escolha. E assim, o racional vai vivendo no passado, pois baseia as escolhas futuras nos significados passados.
equilibrio
Reparem que os grandes saltos quânticos em nossas vidas são aqueles que escutamos nosso Self 2 (intuição) e rompemos totalmente com a lógica controladora estatística racional. Nesse momento vários registros são ressignificados.

A razão é um sistema de pensamento que se baseia em comparações de definições e significados que temos. É o mecanismo de análise e tomada de decisão de nosso Self 1, o eu lógico, controlador, ligado à personalidade e ao Ego. O nosso verdadeiro Eu, que existe por trás dos filtros de personalidade é nosso Self 2, que é nossa essencial e suas decisões são intuitivas. Enquanto nosso Self 1 diz que tudo tem uma razão de ser, nosso Self 2 diz que tudo simplesmente é. A razão é apenas uma justificativa do Self 1 para tentar produzir uma sensação de que tudo está sob controle e tem uma razão de ser. É uma abordagem limitante. Quando consideramos que algo tem uma razão de ser, buscamos elementos para justificarem a existência de algo que simplesmente é, ou seja buscar uma razão para algo é deixar de ser. É se inserir em algo limitado. Racionalizar a vivência é apenas uma representação ilusória da verdade. A verdade só pode ser vivida.

A razão possui duas bases de lógica: indução e dedução. A lógica indutiva se baseia na premissa de que conhecendo-se as partes, conhece-se o todo. Quanto à lógica dedutiva, por mais assertiva que ela possa estar se apresentando, ela não deixa de ser uma suposição baseando em elementos estatísticos, o que nos permite trabalhar apenas com elementos cujos significados já foram antes mapeados e classificados pelo nosso racional.

Escutamos muito as seguintes frases: “Nada acontece por acaso” e “tudo tem uma razão de ser”. Essas duas frases exprimem no mínimo um grande paradoxo podendo ser também compreendidas como uma grande incoerência, uma grande ilusão ou mentira. As coisas simplesmente são e diferentes pessoas com diferentes significados darão diferentes razões de ser para uma mesma coisa. Poderíamos traduzir a célebre frase de Shakespeare “Ser ou não ser, eis a questão” em “Ser ou razão de ser, eis a questão”.
razao-e-emocaoA real experiência espiritual é também um reflexo de interações no mundo através dos filtros que passam pelo nível consciencial e pela conexão com o Self 2 (eu essencial de cada um, voz do coração intuição), o que, em outras palavras, indica o quão libertos conseguimos ser em relação ao nosso Self 1 (Ego, controle racional).

É possível diminuir o poder e controle do Ego (Self 1) e da personalidade para seu poder maior (Self 2) guiar. Não direcione. Seja o direcionamento. Cura é retirar os bloqueios que fazem com que nos sintamos separados da essência e do todo no universo. É a restauração da sua integridade essencial, a reconexão, o sentido original, a conexão com a vida. O caminho é ir além de qualquer caminho. É não assistir ao teatro como se ele fosse a realidade, mas compreender os bastidores. As ilusões somente existem quando decidimos olhar pra elas e assim nós as alimentamos.

É a transição da Era do culto ao Saber e para a Era do Sentir: o retorno à essência e à intuição. Que tal experimentarmos seguir um pouco mais o coração?

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