O reflexo da dualidade no diálogo interno dos Selfs (Eus): Self 1 e Self 2

Diabinho_Anjinho

Já aconteceu com vocês de perceberem um diálogo interno entre uma emoção forte ou uma intuição e um pensamento lógico? Por exemplo…Você chega num lugar, vê uma pessoa que você não conhece e mesmo se ela não te atrai em nada fisicamente, você se sente impelido a falar com ela. Nesse momento uma voz interna (ou sentimento) te diz “quero conhecer essa pessoa agora!” enquanto outra voz está a te dizer “o que você está fazendo? Essa pessoa não te atrai em nada. Ele nem bate com o seu gosto pessoal. Você nem a conhece. Quem disse que ela vai ser receptiva com você?”

Isso nos lembra da representação do anjinho e do diabinho, cada um murmurando em sua orelha um conselho diferente, não é mesmo? Mas e se eu dissesse a vocês que esse diálogo interno realmente existe? Pois então, é disso que iremos falar hoje: os diálogos internos ou o jogo interior, como foi denominado por Timothy Gallwey. Conhecer o diálogo interno entre nossos Selfs ou Eus nos ajuda muito a mudar nossa percepção do mundo, nossas performances e nosso aprendizado. Mas antes de falarmos diretamente do assunto, vamos compreender melhor nossa dualidade interior.

Ondaparticula

Nossa física quântica descreve a capacidade dos entes físicos subatômicos de se comportarem ou terem propriedades tanto de partículas como de ondas. É a tão conhecida dualidade onda-partícula, também denominada dualidade matéria-energia. E o que isso nos ensina? Que a própria estrutura da nossa matéria tem um comportamento dual. Então não me admira que o homem tenha uma percepção dual do mundo, já que ele mesmo enquanto estrutura física é um reflexo dessa dualidade. Ele também vê o mundo por meio da dualidade ou das polaridades, perdendo o conceito de unidade. Daí os conceitos de bem e mal, certo e errado, luz e sombra, etc. Krishnamurti tinha um conceito interessante a esse respeito. Ele dizia que nós vivemos aprisionados no beco da dualidade, na armadilha dos opostos e que devemos compreender a dualidade para que possamos transcendê-la. Segundo ele, enquanto houver pensador e pensamento, haverá inevitavelmente a dualidade. O conflito da dualidade terminaria quando compreendêssemos que pensador e pensamento não são duas coisas separadas e sim uma única coisa. Essa unidade neutraliza a dualidade.

dualidade

O Yin-Yang, por exemplo, seria manifestação da Essência através da dualidade:

– O Yin(lado Preto) representaria o frio, a sombra, o abstrato, o subjetivo, o caos, o feminino.

– O Yang(lado Branco) por sua vez representaria o calor, a luz, o lógico, o objetivo, a ordem, o masculino.

Esses exemplos apenas ressaltar como é inerente a existência de opostos, mas que na realidade não são opostos, são apenas formas diferentes de existir ou uma mesma realidade vista sob dois prismas diferentes.
Mas o que essa dualidade teria a ver com o diálogo interno de nossos Selfs ou eus? A resposta seria: Tudo, pois tanto a estrutura de matéria quanto a percepção do homem são reflexos dessa dualidade. O próprio cérebro humano reflete perfeitamente a ressonância da dualidade.

Estudos de neurociências dizem que os hemisférios direito (Yin) e esquerdo (Yang) trabalham de maneira complementar processando as informações de forma diferente. No hemisfério direito reside a intuição, a criatividade e as habilidades artísticas enquanto que o hemisfério esquerdo é responsável pela parte lógica, detalhada e organizada. O ideal é que usássemos os dois hemisférios de maneira integrada e equilibrada. Isso gera uma equalização das frequências de onda cerebrais.

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Indivíduos que usam o hemisfério esquerdo de maneira predominante possuem tendências a ser excessivamente organizadas, perfeccionistas e racionais. Por outro lado, indivíduos que usam predominantemente o hemisfério direito tendem a ser excessivamente criativos, emotivos, intuitivos e sonhadores. A maioria da população do mundo atualmente tem o lado esquerdo do cérebro mais requisitado, utilizado. Por consequência observamos um desequilíbrio em diversas áreas da vida do ser humano. Como tudo da natureza é equilíbrio dinâmico em busca de harmonia, é importante buscarmos a utilização dos dois hemisférios de maneira equilibrada e equalizada. Isso permite ao indivíduo trabalhar de maneira complementar com os diferentes processos em paralelo equilibrando lógica com intuição.

Depois de termos visto que a estrutura da matéria é dual e que o cérebro humano também reflete isso trabalhando em modo dual, seria uma consequência natural admitirmos que nossa relação com nosso Eu interior (Self) é também dual. Esse Eu interior dual se manifesta pelo diálogo entre duas vozes distintas, que vamos chamar de Self 1 e Self 2. Vamos apresentá-los então 🙂

* Self 1: ligado à mente consciente e principalmente ao hemisfério esquerdo do cérebro. Nele estão contidas também as manifestações do Ego.
– Eu Julgador
– Eu Cognitivo, Racional
– Eu Crítico
– Eu Diretivo no comando
– Gerador de interferências

* Self 2: ligado à mente inconsciente e principalmente ao hemisfério direito do cérebro. Transcende a cognição, é mais emocional e funciona sempre no tempo presente.
– é o ser humano por si mesmo
– mente inconsciente em sua forma natural
– ele traz consigo todo o potencial que nos foi fornecido

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Quanto menores forem as interferências do Self 1, mais o Self 2 pode se expressar, utilizando seu potencial.
Timothy Gallwey, em seu livro The Inner Game os Tennis, relata que ao ensinar seus alunos no jogo de tênis, percebeu que quanto mais ele tentava controlar a técnica do aluno lhe dizendo como ele deveria bater na bola, mais isso fazia com que o foco do aprendizado do aluno fosse focado no Self 1, ou seja no controle, na avaliação e na lógica. Isso acabava sufocando o Self 2, que estaria ligado à maneira mais natural do aluno bater na bola sem racionalizar. A voz do Self 1 é crítica e pode produzir um estado emocional de frustração. Já a voz do Self 2 foca no potencial natural, sem comprometer as habilidades naturais do aluno.

Segundo Timothy Gallwey, quando se confia no Self 2, a sensação inicial é de perda de controle, mas na verdade você está ganhando controle por deixar de lado um significado inferior de controle (Self 1 – cognitivo). O melhor caminho para a mudança recai sobre um conhecimento não julgador das coisas simplesmente como elas são. Paradoxalmente, esta aceitação consciente de si mesmo e de suas ações apenas como elas são, é que liberta ambos, o incentivo e a capacidade, para mudarmos espontaneamente.

Mas como fazemos isso? Como podemos escutar nosso Self 2 e liberar nosso potencial?
No caso do jogo do tênis o que o professor fez foi desviar o foco do Self 1 do aluno para algo neutro, como por exemplo observar a trajetória da bolinha. Mas o professor percebeu que enquanto o aluno deixava seu Self 1 observando a trajetória da bola, o Self 2 liberava o Poder da Consciência Não Julgadora e o aluno começava a bater melhor e naturalmente na bolinha.

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Esse mesmo processo de diálogo interno acontece em nossas vidas todos os dias e, na grande maioria das vezes permitimos que nosso Self 1 sufoque nosso Self 2, não o deixando se exprimir. Lembremos que o foco do Self 1 é crítico e muitas vezes direcionado para o problema. Já o foco do Self 2 é na solução natural eno seu potencial criador.

Faça uma experiência e veja como ela te afeta… Quando algo der errado em sua vida, não dê atenção ao erro. Neutralize o julgamento crítico interno e deixe o Self 2 te mostrar qual é a solução natural pra você. Com prática podemos transformar esse jogo interno e dual de Selfs equalizando em uma só voz construtiva e natural. Quando existe equilíbrio dos hemisférios cerebrais e que suas frequências estão equalizadas, atinge-se um estado de equilíbrio com percepção de unicidade, conseguindo-se assim neutralizar a dualidade.

Um bom dia para todos  🙂

O processo de Transformação existencial trabalha também sobre todos esses fatores. Se tiver interesse no processo, basta entrar em contato comigo aqui.

Ps: Para aprofundamento nesse assunto, recomento a leitura do seguinte livro: