“Dois pesos, duas medidas” gerando incompreensões nas relações humanas

Brass Scales Of Justice Off Balance, Symbolizing Injustice, Over White




Durante as seções de Coaching tenho percebido um aspecto que, apesar de ser aparentemente natural, acaba sendo contraditório e ainda impacta negativamente a compreensão de um sobre o outro nas relações. A maioria de nós, seres humanos, no seu primeiro impulso, analisa e julga o mundo com um método “dois pesos, duas medidas”.

O ser humano está sujeito a erros quando interpreta situações e essa tendência é ainda maior quando ele faz muitas suposições. Já perceberam que as pessoas, de maneira geral, no primeiro instante, julgam a si mesmas pelas intenções, mas julgam os demais pelas interpretações de suas ações?


O que quero dizer com isso é que os indivíduos, de uma maneira geral, aplicam dois mecanismos bem distintos: um para si, o outro para os demais. São tendências que talvez sejam naturais, mas não deixam de ser também um pouco incoerentes. Digo naturais posto que a relação consigo mesmo é mais subjetiva, enquanto a relação com o outro é analisada de maneira mais objetiva, e, num primeiro instante, essa análise objetiva não leva em conta os fatores que influenciaram a ação. O aspecto subjetivo aponta para o mundo interior e vai buscar a intenção. Já o aspecto objetivo observa e julga diretamente a ação. Mas o fato é que essa maneira de se julgar acaba afetando na compreensão da comunicação e consequentemente na relação.

Vamos dar um exemplo para ficar mais claro. Imaginem uma pessoa que recebeu uma noticia da perda de um ente querido e que em seguida bateram no carro dela e ela muito chateada foi ao trabalho. Chegando ao trabalho toda sua equipe estava estressada com um projeto atrasado e esta pessoa acabou respondendo mal um colega de trabalho diante da equipe. Num primeiro instante, a pessoa pensa: “Nossa!! Estou cheia de problemas e o pessoal não compreende que estou me esforçando pra estar aqui.” Os colegas de trabalham pensam “Puxa! Como ela foi grossa!”

Mas o que acontece depois?

Pessoas que têm um maior nível de consciência irão automaticamente além do primeiro julgamento, buscando primeiramente compreender sob outros pontos de vista antes de concluir algo sobre uma situação. Com relação a si mesmas, elas não só observam suas intenções, mas observam também se suas ações foram coerentes com as intenções e, finalmente, se foram bem compreendidas pelo outro como ele gostaria que fosse. Com relação ao outro, elas tentam compreender qual fator subjetivo pode ter impulsionado a outra pessoa a tomar a ação que ela tomou. Em caso de não compreensão, ela busca conversar com o outro para melhor compreender seu comportamento antes de julgá-lo.

Infelizmente, a tendência geral de uma boa parte das pessoas é de não ir além do primeiro julgamento, o que ocasiona muitas incompreensões e, muitas vezes, fofocas.

E se rompêssemos essa tendência?

No Coaching, alguns exercícios de autorreflexão ajudam a desenvolver uma visão mais clara de si mesmo e do mundo gerando maior compreensão. Esses exercícios permitem a cada indivíduo confrontar a coerência de seus objetivos com suas ações e intenções. Isso melhora também a qualidade da nossa comunicação, minimizando mal entendidos e suposições erradas. Com uma comunicação mais eficaz, a tendência a se fazer suposições diminui, diminuindo também julgamentos errôneos e aumentando a compreensão sobre o outro.

Quando observamos o mundo e tiramos nossas conclusões sobre o outro, é importante lembrar que aqueles resultados foram obtidos através de NOSSAS interações com os outros. Ou seja, uma outra pessoa que aja diferentemente pode tirar conclusões muito diferentes e não menos verdadeiras sobre o outro.

Quando há autorreflexão, o nosso mundo subjetivo se expressa melhor através de ações conscientes e coerentes com nossas metas realizando coisas concretas e objetivas.

Recomendo as duas leituras abaixo para aprofundamento nesse tema de conexão com o outro e comunicação não violenta.